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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Penalti por 500 contos

Luciano D’Onófrio é um ex-director do FC Porto e dirigente do Standart Liége que anda a contas com a justiça. Um tribunal de Marselha condenou-o a seis meses de prisão efectiva e 357 000 euros de multa, bem como a proibição de exercer qualquer actividade ligada ao futebol durante 5 anos, devido ao envolvimento em transferências irregulares de jogadores. Contudo, nem só em França as suas actividades foram alvo de suspeita…

500 contos era quanto custava um penalti na época de 1983/84. Pelo menos foi essa a oferta que Luciano D'Onófrio fez a Cadorin, jogador do Portimonense, para que ele provocasse um penalti contra o FC Porto logo no início do jogo entre essas duas equipas, sendo que faria depois o resto do jogo normalmente. Aparecendo em Portimão com esta proposta, D’Onófrio explicou que não representava o FC Porto, e que apenas pretendia que o Portimonense perdesse para que o treinador Vítor Oliveira fosse despedido e ele conseguisse colocar lá um treinador da sua influência (suspeitava-se de Goethals) e que os 500 contos sairiam da comissão dele. Para além do dinheiro, o empresário belga comprometia-se a colocar o jogador do Portimonense no FC Porto ou num clube suíço ou italiano...

Embora a acusação não tenha dado em nada, em França já é a quarta condenação de Luciano D’Onófrio. Quanto a Cadorin, foi logo avisar a direcção do Portimonense do sucedido no mesmo dia em que fora aliciado, não fosse o jogo correr-lhe mal e as suspeitas caíssem sobre ele. Mas, curiosamente, o Portimonense ganharia o jogo por 1 a 0, com um golo de Cadorin…

Se isto fosse verdade…

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Soares em Macau (2)

A empresa Emaudio surge ligada a alguns casos que abalaram a Presidência da República de Mário Soares. Propriedade do antigo Presidente da República, a Emaudio tinha Rui Mateus como testa-de-ferro, para que o nome do legítimo proprietário não fosse arrastado na lama se fossem descobertos os negócios obscuros em que se envolvia. Tal sucedeu quando veio a público um fax comprometedor em que um dos seus “funcionários” e Governador de Macau, Carlos Melancia, aceitara um suborno…

Mas nem tudo eram espinhos. Embora afectada pelo escândalo, os contactos que tinha em Macau eram bastante apetecíveis. Após o acordo gorado com o empresário Robert Maxwell, a empresa foi alvo de contacto pelo milionário Stanley Ho. Contudo, devido ás notícias vindas a público, Ho passa por Rui Mateus e vai ter directamente com Mário Soares para negociar os seus interesses. Associando-se uma terceira entidade, a empresa Interfina (uma empresa representada por Almeida Santos), este grupo investiu no projecto de desenvolvimento urbanístico da baía da Praia grande, em Macau. Este gigantesco projecto lançado por Carlos Melancia previa o encaixe de vários milhões de contos de lucro…

Das pessoas envolvidas na Emaudio, dá-se o exemplo de Santos Ferreira, que fora nomeado por Melancia para dirigir o projecto do Aeroporto de Macau, e que foi nomeado pelo Primeiro-Ministro José Sócrates como Presidente da Caixa Geral de Depósitos. Só quando Portugal aderiu em 2001 à à Convenção Penal Europeia contra a Corrupção, é que o tráfico de influências foi criminalizado em Portugal…

Se isto fosse verdade…

terça-feira, 8 de abril de 2008

Soares em Macau (1)

Mário Soares é considerado por muitos como o Pai da Democracia. Antigo Ministro, Primeiro-Ministro e Presidente da República, Soares acumulou património de grande valor ao longo dos anos. A muito se deve à sua empresa Emaudio. Contudo, alguns dos negócios dessa empresa são bastante suspeitos, envolvendo até um caso de suborno que provocou a demissão do Governador de Macau, Carlos Melancia…

Após ganhar as eleições presidenciais de 1986, Soares seleccionou um grupo de amigos para formar a Emaudio com o dinheiro que restara da sua campanha. Não querendo manchar o seu nome, Soares nomeou Rui Mateus como testa-de-ferro, e encetou contactos com empresários internacionais. Convidando-os para reunirem com o Chefe de Estado, mas embora fossem os portugueses a pagar a estadia em Portugal, eles eram convidados apenas a investir na Emaudio. Com estes contactos, Soares pretendia investir na Comunicação Social, mas Berlusconi rejeitou a proposta, e Ropert Murdoch foi ultrapassado na corrida pelo seu rival Robert Maxwell. Como “caução”, Maxwell pagaria 6 000 contos (30 000 euros) mensais. É então nomeado Carlos Melancia, um homem da Emaudio, como Governador de Macau, que tratou logo de adjudicar a estação pública de televisão para Maxwell, que entretanto recua. Entretanto, uma empresa alemã exige a devolução dos 50 000 contos (250 000 euros) que tinha “contribuído” pois não tinha recebido contrapartidas para a construção do Aeroporto de Macau. Rui Mateus envia o fax a Melancia que não dá resposta. Almeida Santos comunica a situação a Soares que também não dá resposta. Furioso por ter a “batata quente” na mão, Mateus envia o fax para o jornal O Independente, desencadeando o escândalo…

Em visita de Estado a Marrocos, Soares envia Almeida Santos a Portugal para controlar o fogo. Narciso Cunha Rodrigues, Procurador-Geral da República, deixou Soares fora da investigação e levou à condenação apenas de Rui Mateus, como corruptor, e absolvendo Carlos Melancia, não sendo provado que este tinha aceite o pagamento. Contudo, o pagamento não chegou a Melancia, mas sim a Soares…

Se isto fosse verdade…

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O caso Inocêncio Calabote

Na altura em que os jogos de futebol tinham na rádio a sua forma de transmissão (o fenómeno da televisão só viria décadas mais tarde) surgiu na época de 1958/59 a lenda Inocêncio Calabote. Diz a história, que este árbitro deu 10 minutos de desconto no jogo Benfica-CUF da última jornada, para que o Benfica marcasse mais um golo e ganhasse o campeonato pela diferença de golos. Mas nem o Benfica ganhou o campeonato, nem o árbitro deu 10 minutos de compensação…

Nessa 26.ª e última jornada disputada a 22 de Março, o Benfica recebia a CUF e o FC Porto visitava o Torreense. Tendo empatado os dois jogos entre eles, ganharia o campeonato quem tivesse maior diferença entre golos marcados e golos sofridos. Embora o FC Porto tenha ganho o campeonato, nasceu recentemente a crença que o Benfica foi campeão porque o árbitro Inocêncio Calabote deixou o jogo correr até o Benfica ter golos suficientes para ser campeão. Na verdade, o jogo começou com 6 minutos de atraso (provocados pelo Benfica para saber de antemão o resultado do FC Porto, e que por isso foi justamente castigado pela federação), e o intervalo prolongou-se também uns minutos. Na verdade o árbitro deu apenas 4 minutos de desconto, como rezam as crónicas da época em A Bola “No que se refere ao prolongamento de quatro minutos, cremos ter deixado, ao longo da crónica, justificação bastante para o critério do Sr. Inocêncio Calabote.”, ou no Record “Deu quatro minutos (…) pela demora propositada dos jogadores da Cuf – alguns deles foram advertidos – na reposição da bola em jogo. Não compreendemos porque não usou do mesmo critério no final do primeiro tempo, dado que aquelas demoras se começaram a registar desde início.”…

Nasceu também a crença que foram assinaladas a favor do Benfica 3 grandes penalidades que não existiam, mas os jornais elucidam em A Bola “Quanto aos “penalties”, não temos dúvida de que o primeiro e o terceiro existiram de facto; dúvidas temos, porém, quanto ao segundo, pois Cavém, ao que se nos afigurou, não foi derrubado por um adversário, antes foi ele próprio que se descontrolou e desequilibrou.”, ou no Record “Regular comportamento no julgamento das faltas. Só não concordamos com a segunda grande penalidade. A falta existiu, na verdade, mas só por ter sido executada fora de tempo merecia livre indirecto.”. Casos houve no Torreense-FC Porto, com a arbitragem de Francisco Guiomar a ser contestada pelos jogadores locais…

Se isto fosse verdade…

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Futebol - Os "quinhentinhos"

Este ex-árbitro é um caso impar no futebol português. José Guímaro é o único árbitro (até agora) a ser condenado por corrupção num tribunal judicial. Os 500 contos que recebeu em troca do favorecimento num célebre Leça FC vs Académico de Viseu não foram compensação suficiente para o que se seguiu…

Em 7 de Junho de 1993 o Leça FC recebia o Académico de Viseu, e em caso de vitória festejaria o título da 2ª. Divisão B. José Guímaro era o árbitro e o Leça FC ganhou por 3-0, acrescentando uma taça ao seu palmarés. Contudo, em Junho de 1994, a Polícia Judiciária detém o árbitro após uma diligente investigação, com conversas telefónicas comprometedoras com “Manecas” (Presidente do Leça FC), Manuel Rodrigues (pai do Presidente do Leça FC), António Ramos e Joaquim Pinheiro (intermediários, sendo este último irmão de Reinaldo Teles, vice-presidente do FC Porto), e a fotocópia de um cheque de 500 contos assinado pelo “Manecas” e endossado a José Guímaro. Pela primeira vez um tribunal judicial julgava e condenava por corrupção desportiva! Os 500 contos (sempre referidos nas gravações como os “quinhentinhos”) não eram mais do que o pagamento da primeira prestação pelos “serviços” prestados por José Guímaro.

No final o Leça desceu da Primeira Divisão para a Divisão de Honra pela via administrativa na época de 1996/97, José Guímaro foi condenado a 15 meses de prisão e “Manecas” a 12 meses (sendo entretanto amnistiado) e Manuel Rodrigues e António Ramos a 8 meses de pena suspensa. Joaquim Pinheiro, sempre que confrontado com datas e as suas gravações telefónicas exclamava sempre “não me recordo”, evitando o envolvimento de seu irmão, várias vezes citado nas conversas, e evitando ser condenado. Em todo este processo, a única pessoa que cumpriu pena foi o corrompido, sendo que todos os corruptores passaram incólumes…

Se isto fosse verdade…

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Futebol - Verão de 1988

Verão de 1988; em Vila Nova de Famalicão é o desespero total. O clube local tinha acabado de sagrar-se campeão da 2ª Divisão e, com isto, o regresso à Divisão principal nove anos depois da última participação. Mas o fantasma da corrupção esticava o dedo acusador a António Costa, Presidente do Famalicão, por parte do seu homólogo do Macedo de Cavaleiros. Mas esta história sempre foi muito mal contada.

Na época de 1987/88, a disputa pela primeira posição no Campeonato da 2ª Divisão Zona norte esta ao rubro, com Famalicão, Fafe e Leixões a disputar a subida. Antes do campeonato acabar, o Fafe já tinha protestado a utilização irregular, por parte do Famalicão, do jogador Kanu. Mas protestara também a vitória administrativa sobre o Macedo de Cavaleiros. Findo o campeonato em primeiro e conquistado o título, o Presidente do Famalicão foi acusado (a uma semana do início da época seguinte!) por parte de António Veiga, Presidente do Macedo de Cavaleiros, de ter pago ao clube para encenar uma invasão no seu campo ao intervalo por parte dos adeptos para assim o Famalicão ganhar o jogo “na secretaria”. Exibindo o cheque assinado por António Costa, o Famalicão foi relegado para a 3ª Divisão como punição e os presidentes do Famalicão e do Macedo de Cavaleiros foram irradiados do futebol. Na época de 1988/89 o Famalicão sagra-se vice-campeão da 3ª Divisão e regressa à 2ª Divisão.

Contudo, António Veiga veio desmentir-se um ano depois. O antigo presidente do Macedo de Cavaleiros veio a público assumir que o cheque era, na verdade, para o pagamento dos bilhetes dos adeptos do Famalicão, e que tinha feito a falsa acusação de suborno como forma de prejudicar António Costa, presidente do Famalicão. O Famalicão e António Costa foram reabilitados e, como tinham terminado a época de 1989/90 em segundo lugar na 2ª Divisão Norte, o Campeonato da 1ª Divisão foi re-alargado para 20 equipas, permitindo que o Famalicão subisse naquele ano, para “compensar” da injustiça…

Se isto fosse verdade…

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Futebol - Novembro de 1990

Novembro de 1990. Tudo aconteceu num Penafiel-Belenenses envolvendo o árbitro Francisco Silva, mas nos registos está escrito que quem apitou foi Fortunato Azevedo. Rebentou o escândalo do Penafielgate, em que tudo sucedeu nos balneários antes do jogo com um cheque de 2000 contos e que teve pesadas consequências para Francisco Silva.

Uma combinação entre Manuel Rocha (presidente do Penafiel), Lourenço Pinto (presidente do Conselho de Arbitragem) e o árbitro Francisco Silva resultou num cheque passado no valor de 2000 contos. Mais tarde, através de uma gravação telefónica entre os intervenientes, ficou-se a saber que eram 1500 contos relativos ao jogo com o Belenenses e os restantes 500 contos relativos aos jogos de outros clubes apitados por esse árbitro e onde o Penafiel tinha interesses. Contudo, nos balneários de Penafiel, após receber o cheque, Francisco Silva escusou-se apitar dizendo que estava doente. “Ó Chico, eu bem te avisei... ó Chico, o que tu foste fazer!” clamava Lourenço Pinto em conversa telefónica com o árbitro. Com o cheque e as escutas telefónicas como prova, os três intervenientes iriam sofrer a pesada mão da justiça.

E resultou na irradiação de Francisco Silva do futebol! Estavam à espera de mais? Só em Portugal é que o corrompido é castigado, mas nunca o corruptor: Manuel Rocha “retirou-se” do clube e Lourenço Pinto passou a pasta do Conselho de Arbitragem. E, já agora, este Lourenço Pinto que participou no suborno do árbitro, é o mesmo que é advogado do Pinto da Costa no caso Apito Dourado! Curioso…


Se isto fosse verdade…