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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Salazar e o Benfica (2)

O mito do apoio de Salazar, Presidente do Conselho de Ministros, ao Benfica tem sido retratado de muitas formas. Uma delas, descreve que o Benfica não vendeu o Eusébio para o Inter de Milão em 1966, pois Salazar vetou a transferência…

Após o Mundial de Futebol de 1966, as atenções do mundo viraram-se para Eusébio, e o Inter de Milão abordou o Benfica para a compra do futebolista. Contudo, nesse mesmo ano, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) proibiu a entrada de jogadores estrangeiros, como forma de corrigir o péssimo desempenho da Squadra Azzurra no torneio. Embora com o desejo de realizar algum lucro, o Benfica viu a transferência abortada, não por um Presidente do Conselho interessado em que um dos maiores tesouros nacionais não saísse do país, mas sim por uma lei que esteve em vigor no futebol italiano até 1980, sendo que doís anos depois a selecção italiana voltava ao título mundial…

Diversos episódio retratam que, na verdade, o Benfica não só não era apoiado por Salazar, mas que até chegava a ser penalizado. O hino original do Benfica, intitulado “Avante Benfica” e escrito por Félix Bermudes, foi censurado pelo Governopor ser visto como uma afronta. Entre os presidentes, contam-se diversos opositores anti-fascistas, como Tamagnini Barbosa ou Manuel Conceição Afonso, bem como a regular realização de assembleias gerais, e eleições livres para os cargos dirigentes. O Sporting, é que jogava na época no Campo 28 de Maio, a data da Revolução que implementou o Estado Novo, e quando o Benfica foi jogar para lá, alterou-lhe o nome para Estádio do Campo Grande…

Se isto fosse verdade…

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Salazar e o Benfica (1)

Desde cedo foi criado o mito que o Benfica era favorecido pelo Governo de António de Oliveira Salazar. Surgem histórias que afirmam que o Benfica só ganhava durante o Estado Novo, ou que Salazar não deixou vender o Eusébio para o estrangeiro. Contudo, analisando a História, a realidade era bem diferente do mito…

Salazar governou Portugal entre 1932 e 1968, sendo que nesse intervalo de tempo foram disputados 35 campeonatos de futebol. O Benfica ganhou 14, o Sporting 12, o Porto 8, e o Belenenses 1 solitário campeonato. Na verdade, a época dourada do Benfica até foi na altura mais revolucionária em Portugal, com 6 campeonatos ganhos durante a década de 70, sendo que em 2 dessas épocas o Benfica terminou o Campeonato sem derrotas. A nível nacional faz-se a ligação ao Estado Novo, mas ao verificarmos os registos em competições internacionais, o nome do Benfica surge como finalista por 8 vezes de competições europeias, para além dos títulos de Campeão Ibérico e Campeão Latino.

Analisando a história, em certas situações o Benfica até foi prejudicado. Tendo sido campeão na época de 1954/55, o Sporting é que foi designado pela Federação a representar Portugal na Taça dos Campeões Europeus. E embora o Benfica estivesse na final da Taça dos Campeões Europeus de 1961/62 (que viria a ganhar), a meia-final da Taça de Portugal entre o Vitória de Setúbal e o Benfica foi marcada para o dia seguinte. Com os jogadores ainda a meio caminho de Portugal e na ressaca da vitória em Berna, os Reservas do Benfica perderam por 1-0 em Setúbal, e foram afastados da final da Taça…

Se isto fosse verdade…

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Penalti por 500 contos

Luciano D’Onófrio é um ex-director do FC Porto e dirigente do Standart Liége que anda a contas com a justiça. Um tribunal de Marselha condenou-o a seis meses de prisão efectiva e 357 000 euros de multa, bem como a proibição de exercer qualquer actividade ligada ao futebol durante 5 anos, devido ao envolvimento em transferências irregulares de jogadores. Contudo, nem só em França as suas actividades foram alvo de suspeita…

500 contos era quanto custava um penalti na época de 1983/84. Pelo menos foi essa a oferta que Luciano D'Onófrio fez a Cadorin, jogador do Portimonense, para que ele provocasse um penalti contra o FC Porto logo no início do jogo entre essas duas equipas, sendo que faria depois o resto do jogo normalmente. Aparecendo em Portimão com esta proposta, D’Onófrio explicou que não representava o FC Porto, e que apenas pretendia que o Portimonense perdesse para que o treinador Vítor Oliveira fosse despedido e ele conseguisse colocar lá um treinador da sua influência (suspeitava-se de Goethals) e que os 500 contos sairiam da comissão dele. Para além do dinheiro, o empresário belga comprometia-se a colocar o jogador do Portimonense no FC Porto ou num clube suíço ou italiano...

Embora a acusação não tenha dado em nada, em França já é a quarta condenação de Luciano D’Onófrio. Quanto a Cadorin, foi logo avisar a direcção do Portimonense do sucedido no mesmo dia em que fora aliciado, não fosse o jogo correr-lhe mal e as suspeitas caíssem sobre ele. Mas, curiosamente, o Portimonense ganharia o jogo por 1 a 0, com um golo de Cadorin…

Se isto fosse verdade…

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Bruxedo no Benfica

O futebol anda de mão-dada com as superstições. Bruxos e curandeiros são muitas vezes requisitados para fazerem trabalhos em equipas de futebol. Muitas das vezes os presidentes dos clubes nem acreditam nas propriedades dessas mezinhas, mas acreditam que possa motivar os jogadores para inverterem os resultados. Qualquer equipa está disposta a recorrer a esses “trabalhos, até os “grandes” portugueses…

Na época de 1992/93, o Benfica tinha acabado de contratar Paulo Futre, e perseguia o líder Futebol Clube do Porto. O Presidente do Benfica, Jorge de Brito, contrata então Delane Vieira, um empresário e médium para ajudar a equipa. O primeiro trabalho de Delane resultou em sucesso: ele prevera que o Benfica iria ganhar ao Sporting no Estádio da Luz por 1-0, com golo de Paulo Futre. Com esta profecia cumprida, faltava contudo o jogo que decidiria o campeonato, quando o Benfica ia receber o Porto. Delane disse então que para o Benfica ganhar, o Treinador Principal Toni e o seu Adjunto Jesualdo Ferreira teria de se deslocar a um hipermercado, comprassem um carrinho cheio de alimentos e oferecessem ao primeiro pobre que encontrassem ao sair á rua. Pouco dados a superstições, Toni e Jesualdo lá acederam, e deslocaram-se até ao Carrefour de Telheiras. Pagaram a conta e saíram com Centro Comercial, mas não encontravam um único pobre a quem pudessem oferecer a quantidade enorme de alimentos. Cansados da situação, telefonaram a uma amiga para que fosse a um bairro degradado e que lhes trouxesse um. Assim foi feito e o pobre ficou feliz da vida...

Contudo, no jogo decisivo, o Porto arranca um empate a zero golos, e ganha vantagem no confronto directo. Delane defende-se dizendo que o seu trabalho não resultara porque os técnicos do Benfica nem foram capazes de arranjar um pobre para cumprir a tarefa correctamente. Toni e Jesualdo desmentem categoricamente que alguma vez tenham participado nessa tarefa, mas alguns dirigentes benfiquistas estavam presentes quando eles aceitaram realiza-la…

Se isto fosse verdade…

quarta-feira, 19 de março de 2008

Uma questão de dinheiro

Paulo Futre, o astro do futebol, estava descontente com a sua situação no Atlético de Madrid. Quando no início de 1993, Sousa Cintra, na altura presidente do Sporting, seu clube do coração, convidou-o para almoçar, o regresso ao futebol português parecia sorrir-lhe. Contudo, nem tudo foram rosas e, para além do pouco sucesso desportivo, levou também à ruína financeira do Benfica…

Sousa Cintra foi buscar o jogador ao Hotel, tendo habilmente avisado os jornalistas do encontro. A caminho do restaurante, Paulo Futre declara que “Saí do Sporting por dinheiro, regressarei com o coração.”. Passado pouco tempo, surge o Benfica em cena. Em apenas dois dias, o seu presidente Jorge de Brito adianta o dinheiro ao Atlético de Madrid, e um ordenado de 30 000 contos a Futre. Para o jogador, tratou-se apenas de uma negociação ganha pelos encarnados, e que sentia pena de não voltar a Alvalade. Sousa Cintra ficou fulo com o sucedido e prometeu vingança, vindo nesse final de época a roubar duas pérolas do Benfica no Verão Quente. Quanto ao Benfica, endividou-se em 600 000 contos, os necessários para convencer o Atlético, através de um adiantamento da venda das transmissões televisivas à RTP e da publicidade estática, no que era visto como um grande negócio para ambas as partes. Contudo, tal não foi a impressão do Primeiro-Ministro Cavaco Silva, que destituiu o Conselho de Administração da RTP, presidida por Monteiro de Lemos que fora Presidente do Conselho Fiscal do Benfica…

Marques Mendes, na altura Ministro-adjunto do Primeiro-Ministro, declarou que “O dinheiro não é tudo, as audiências não justificam tudo, a concorrência não é justificação para tudo.”. Apesar de tudo, Futre viria mesmo a jogar pelo Benfica, marcando um golo decisivo ao Sporting que afastou definitivamente os leões do título, e brilhou no final da Taça de Portugal ganha ao Boavista. Contudo, o Campeonato principal escapava-se para o Porto. Se por si só, a contratação de Futre não arruinou completamente os cofres do clube da Luz (que já apresentavam um passivo de 4 500 000 contos), a perda de Paulo Sousa, numa vingança do Sporting, fez voar uma receita esperada de 1 000 000 da venda do médio para Itália…

Se isto fosse verdade…

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Verão Quente... de 1993!

O Verão Quente não foi só durante o PREC, pois o futebol também teve um. No Verão de 1993, após o Benfica ter ficado em segundo lugar no campeonato e ter ganho a Taça, com a colaboração de Paulo Futre, o melhor jogador português do momento e “roubado” poucos meses antes ao Sporting, seu clube do coração. Também o leão foi capaz de dar duas arranhadelas à águia, e poderia ter sido mais grave…

No início de Junho, Pacheco foi o primeiro jogador a rescindir contracto com o Benfica, devido a salários em atraso, e a assinar pelo Sporting para receber 70 000 contos. Pouco depois, Paulo Sousa envia um fax a rescindir contracto pelo mesmo motivo, assinando por 350 000 contos por ano. Era com Sousa que o Benfica esperava sarar a crise financeira (de cerca de 4 milhões de contos) tentando a venda para Itália por 1 milhão de contos. Mas Sousa Cintra, Presidente do Sporting, não se dava por satisfeito, e no final de Junho, João Pinto envia um fax a rescindir contracto por não ter recebido os 2 000 contos do ordenado de Maio. JVP tinha assinado um contrato com o vizinho da Segunda Circular por três anos e 350 000 contos, tendo recebido logo um cheque de 30 000 contos. Após o sucedido, partiu de férias para uma praia em Torremolinos…

Jorge de Brito, Presidente do Benfica, encontrava-se de férias em Lagos, e ao saber do sucedido dirigiu-se logo para a praia espanhola e propôs o regresso ao Benfica, por 390 000 contos até 1997. Devido ao cheque que já tinha recebido de Sousa Cintra, teve de indemnizar os leões em 100 000 contos, despesa que o Benfica pagou com grado. Foi com esta jogado, que culminou no célebre jogo do 6-3 de Alvalade, que o Benfica sagrar-se-ia Campeão 1993/94…

Se isto fosse verdade…

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Macacada...

Certas expressões populares utilizadas no dia-a-dia surgiram de situações muito pouco normais. Uma delas nasceu no mundo do futebol, nas várias deslocações que o Sporting fazia até ao Estádio do Lima (antecessor do Estádio das Antas) para defrontar o Futebol Clube do Porto…

Quando o Sporting dos 5 violinos deslumbrava todos com o seu futebol, as deslocações ao Porto resultaram sempre em grandes dissabores no final da década de quarenta e início de cinquenta. Anteriormente, os jogadores do Sporting estagiavam num hotel em Oliveira de Azeméis, que tinha uma macaca como animal de estimação. Adoptando-a como amuleto, o Sporting somava por vitórias as deslocações ao Porto. Contudo, numa das vezes lá chegados, a macaca tinha desaparecido. Um adepto portista tinha comprado a macaca, acreditando que ela era a fonte de inspiração leonina, e que assim seriam derrotados. Começou assim uma série de jogos em que o Porto ganhava de forma contundente, o Sporting até adoptou outros hotéis para estagiar para tirar a macaca da lembrança dos seus jogadores, até que…

Numa das deslocações ao Porto, e após um jogo estranho com uma arbitragem tendenciosa e diversos jogadores portistas lesionados, o Sporting voltava a ganhar no Estádio do Lima. Curiosamente, no mesmo dia em que a macaca, que estava instalada na Quinta da Fonte Vinha do adepto portista, morreu. A partir daí, começou a ser utilizada no futebol, e que depois generalizou-se, a expressão “mas que sorte macaca”…

Se isto fosse verdade…

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Camisolas bem numeradas

Hoje em dia, todos os jogadores têm um número fixo nas camisolas com respectivo nome ao longo da época, mas durante muitos anos o número nas camisolas era atribuído sem critério fixo, seguindo apenas uma ordem de 1 a 11, e segundo a posição em campo. Mas no Torneio Cidade de Córdoba 1975/76, António Medeiros, treinador do Belenenses, resolveu inovar…

O Belenenses defrontou, e derrotou, o Boca Juniors, ganhando assim acesso à final contra a equipa da casa. Mas para além da vitória no jogo, o treinador da equipa portuguesa reparou que o treinador do Córdoba estava na bancada a tirar apontamentos para preparar o jogo final. Quando chegou a hora dos jogadores do Belenenses subirem para o relvado para o jogo decisivo, António Medeiros deu ordens específicas: quando os jogadores terminassem o aquecimento, regressariam aos balneários para, num instante, trocarem de camisolas. Sambinha, o número 2, passou a ser o 11 e Cepeda que era o 11 passou a ser o 2, e assim por diante. Após a rápida troca de camisolas, os jogadores voltaram a subir para o relvado. Após o início do jogo, os jogadores do Córdoba começaram a fazer marcação aos jogadores segundo os números das camisolas. Quando se aperceberam da marosca, já o Belenenses ganhava por 3 a 0…

No final do encontro, a polícia local teve de ser chamada para escoltar a equipa do Belenenses até ao hotel, devido ao ambiente que se tinha gerado em volta do jogo. Se esta não foi a primeira, nem a última, vez que António Medeiros fez o truque da troca das camisolas, foi esta a primeira vez que uma equipa estrangeira ganhou o Torneio de Córdoba…

Se isto fosse verdade…

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O caso Inocêncio Calabote

Na altura em que os jogos de futebol tinham na rádio a sua forma de transmissão (o fenómeno da televisão só viria décadas mais tarde) surgiu na época de 1958/59 a lenda Inocêncio Calabote. Diz a história, que este árbitro deu 10 minutos de desconto no jogo Benfica-CUF da última jornada, para que o Benfica marcasse mais um golo e ganhasse o campeonato pela diferença de golos. Mas nem o Benfica ganhou o campeonato, nem o árbitro deu 10 minutos de compensação…

Nessa 26.ª e última jornada disputada a 22 de Março, o Benfica recebia a CUF e o FC Porto visitava o Torreense. Tendo empatado os dois jogos entre eles, ganharia o campeonato quem tivesse maior diferença entre golos marcados e golos sofridos. Embora o FC Porto tenha ganho o campeonato, nasceu recentemente a crença que o Benfica foi campeão porque o árbitro Inocêncio Calabote deixou o jogo correr até o Benfica ter golos suficientes para ser campeão. Na verdade, o jogo começou com 6 minutos de atraso (provocados pelo Benfica para saber de antemão o resultado do FC Porto, e que por isso foi justamente castigado pela federação), e o intervalo prolongou-se também uns minutos. Na verdade o árbitro deu apenas 4 minutos de desconto, como rezam as crónicas da época em A Bola “No que se refere ao prolongamento de quatro minutos, cremos ter deixado, ao longo da crónica, justificação bastante para o critério do Sr. Inocêncio Calabote.”, ou no Record “Deu quatro minutos (…) pela demora propositada dos jogadores da Cuf – alguns deles foram advertidos – na reposição da bola em jogo. Não compreendemos porque não usou do mesmo critério no final do primeiro tempo, dado que aquelas demoras se começaram a registar desde início.”…

Nasceu também a crença que foram assinaladas a favor do Benfica 3 grandes penalidades que não existiam, mas os jornais elucidam em A Bola “Quanto aos “penalties”, não temos dúvida de que o primeiro e o terceiro existiram de facto; dúvidas temos, porém, quanto ao segundo, pois Cavém, ao que se nos afigurou, não foi derrubado por um adversário, antes foi ele próprio que se descontrolou e desequilibrou.”, ou no Record “Regular comportamento no julgamento das faltas. Só não concordamos com a segunda grande penalidade. A falta existiu, na verdade, mas só por ter sido executada fora de tempo merecia livre indirecto.”. Casos houve no Torreense-FC Porto, com a arbitragem de Francisco Guiomar a ser contestada pelos jogadores locais…

Se isto fosse verdade…

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Portugal vs Inglaterra 1946 (2)

Quando em Março de 1946 um esquadrão de navios ingleses atracou em Lisboa, ainda estava fresca na memória dos adeptos do futebol o belo jogo que a equipa da RAF e a da Selecção “Militar” Portuguesa tinham proporcionado pouco tempo antes. Sendo assim, tratou-se logo de marcar novo jogo Portugal vs Inglaterra com os marinheiros da Home Fleet.

Mas se a Selecção da RAF tinha meia dúzia de jogadores de futebol nas suas fileiras, esta selecção era apenas composta por jovens marinheiros pouco peritos em jogo de bola. Mas, mais uma vez, a Selecção Nacional escolheu entre os seus melhores, chegando mesmo a fazer um estágio de três dias na Costa da Caparica, pois o total desconhecimento dos membros da tripulação adversária, levaram ao receio de envergonhar a elite de Portugal. Para além de paralizarem as competições em Portugal, a selecção era composta por Capela e Barrigana, Vasco, Cerqueira e Elói, Mateus, Grazina, José Lopes e Francisco Lopes, Jesus Correia, Araújo, Patalino, Salvador, Rogério, Júlio e Lourenço. Para árbitro foi chamado um internacional belga Charles Canuto, que não era mais do que o árbitro português Carlos Canuto. Em vésperas do jogo muitos bilhetes estavam por vender, pois talvez as pessoas já tivessem percebido a marosca…

Foi uma vergonha de 11-1, em que os jogadores ingleses, mais habituados à estiva, não souberam dar a volta ao jogo em terra, embora jogando sempre dignamente e com alegria, mesmo enquanto os golos iam entrando na sua baliza. Pelas palavras duras escritas no jornal A Bola sobre esta “exibição”, a redacção do jornal viu a sua tiragem ser suspensa durante um mês…

Se isto fosse verdade…

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Futebol - Portugal vs Inglaterra 1946 (1)

A máquina de propaganda do Estado Novo era incansável e aproveitava todas as oportunidades para fazer passar a mensagem. Em Fevereiro de 1946, após uma guerra que poupou o nosso território, uma equipa de futebol da Royal Air Force decidira fazer um jogo amigável em Portugal com a nossa Selecção Militar. Só que em campo surge a Selecção Nacional Portuguesa…

O Major Ribeiro dos Reis, glória do futebol português e que na altura era o Seleccionador, decidiu convocar “militares na reserva”, com uma equipa composta por Azevedo; Cardoso e Feliciano; Mateus, Francisco Ferreira e Serafim; Mário Coelho, Quaresma, Peyroteo, Salvador e Rogério. Até foi feito um estágio na Venda do Pinheiro, não fosse surgir algum craque entre os ingleses que fosse envergonhar os nossos jogadores. Composta por heróis da guerra e alguns futebolistas conhecidos, os ingleses defrontaram uma selecção em que, tirando Quaresma como Sargento e Manuel Marques como cabo, todos eram soldados rasos e até chegaram ao Estádio do Jamor em carro militar e devidamente fardados. E os jogadores ficaram bem satisfeitos pois, antes do jogo, foi-lhes dito em pleno Estádio defronte dos 60 000 espectadores que poderiam ficar com os equipamentos (outros tempos mais frugais) …

A Selecção Militar/Nacional acabou por empatar a um golo com a Selecção da RAF, onde pontificava um jovem Stanley Matthews que deu água pela barba a Serafim, encarregue de lhe fazer a marcação. Mas se este jogo teve uma selecção estranha (a portuguesa), no jogo seguinte em Março do mesmo ano surgiria outra selecção ainda mais estranha (nesse caso, a inglesa) …

Se isto fosse verdade…

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Futebol - Os "quinhentinhos"

Este ex-árbitro é um caso impar no futebol português. José Guímaro é o único árbitro (até agora) a ser condenado por corrupção num tribunal judicial. Os 500 contos que recebeu em troca do favorecimento num célebre Leça FC vs Académico de Viseu não foram compensação suficiente para o que se seguiu…

Em 7 de Junho de 1993 o Leça FC recebia o Académico de Viseu, e em caso de vitória festejaria o título da 2ª. Divisão B. José Guímaro era o árbitro e o Leça FC ganhou por 3-0, acrescentando uma taça ao seu palmarés. Contudo, em Junho de 1994, a Polícia Judiciária detém o árbitro após uma diligente investigação, com conversas telefónicas comprometedoras com “Manecas” (Presidente do Leça FC), Manuel Rodrigues (pai do Presidente do Leça FC), António Ramos e Joaquim Pinheiro (intermediários, sendo este último irmão de Reinaldo Teles, vice-presidente do FC Porto), e a fotocópia de um cheque de 500 contos assinado pelo “Manecas” e endossado a José Guímaro. Pela primeira vez um tribunal judicial julgava e condenava por corrupção desportiva! Os 500 contos (sempre referidos nas gravações como os “quinhentinhos”) não eram mais do que o pagamento da primeira prestação pelos “serviços” prestados por José Guímaro.

No final o Leça desceu da Primeira Divisão para a Divisão de Honra pela via administrativa na época de 1996/97, José Guímaro foi condenado a 15 meses de prisão e “Manecas” a 12 meses (sendo entretanto amnistiado) e Manuel Rodrigues e António Ramos a 8 meses de pena suspensa. Joaquim Pinheiro, sempre que confrontado com datas e as suas gravações telefónicas exclamava sempre “não me recordo”, evitando o envolvimento de seu irmão, várias vezes citado nas conversas, e evitando ser condenado. Em todo este processo, a única pessoa que cumpriu pena foi o corrompido, sendo que todos os corruptores passaram incólumes…

Se isto fosse verdade…

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Futebol - Verão de 1988

Verão de 1988; em Vila Nova de Famalicão é o desespero total. O clube local tinha acabado de sagrar-se campeão da 2ª Divisão e, com isto, o regresso à Divisão principal nove anos depois da última participação. Mas o fantasma da corrupção esticava o dedo acusador a António Costa, Presidente do Famalicão, por parte do seu homólogo do Macedo de Cavaleiros. Mas esta história sempre foi muito mal contada.

Na época de 1987/88, a disputa pela primeira posição no Campeonato da 2ª Divisão Zona norte esta ao rubro, com Famalicão, Fafe e Leixões a disputar a subida. Antes do campeonato acabar, o Fafe já tinha protestado a utilização irregular, por parte do Famalicão, do jogador Kanu. Mas protestara também a vitória administrativa sobre o Macedo de Cavaleiros. Findo o campeonato em primeiro e conquistado o título, o Presidente do Famalicão foi acusado (a uma semana do início da época seguinte!) por parte de António Veiga, Presidente do Macedo de Cavaleiros, de ter pago ao clube para encenar uma invasão no seu campo ao intervalo por parte dos adeptos para assim o Famalicão ganhar o jogo “na secretaria”. Exibindo o cheque assinado por António Costa, o Famalicão foi relegado para a 3ª Divisão como punição e os presidentes do Famalicão e do Macedo de Cavaleiros foram irradiados do futebol. Na época de 1988/89 o Famalicão sagra-se vice-campeão da 3ª Divisão e regressa à 2ª Divisão.

Contudo, António Veiga veio desmentir-se um ano depois. O antigo presidente do Macedo de Cavaleiros veio a público assumir que o cheque era, na verdade, para o pagamento dos bilhetes dos adeptos do Famalicão, e que tinha feito a falsa acusação de suborno como forma de prejudicar António Costa, presidente do Famalicão. O Famalicão e António Costa foram reabilitados e, como tinham terminado a época de 1989/90 em segundo lugar na 2ª Divisão Norte, o Campeonato da 1ª Divisão foi re-alargado para 20 equipas, permitindo que o Famalicão subisse naquele ano, para “compensar” da injustiça…

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sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Futebol - Novembro de 1990

Novembro de 1990. Tudo aconteceu num Penafiel-Belenenses envolvendo o árbitro Francisco Silva, mas nos registos está escrito que quem apitou foi Fortunato Azevedo. Rebentou o escândalo do Penafielgate, em que tudo sucedeu nos balneários antes do jogo com um cheque de 2000 contos e que teve pesadas consequências para Francisco Silva.

Uma combinação entre Manuel Rocha (presidente do Penafiel), Lourenço Pinto (presidente do Conselho de Arbitragem) e o árbitro Francisco Silva resultou num cheque passado no valor de 2000 contos. Mais tarde, através de uma gravação telefónica entre os intervenientes, ficou-se a saber que eram 1500 contos relativos ao jogo com o Belenenses e os restantes 500 contos relativos aos jogos de outros clubes apitados por esse árbitro e onde o Penafiel tinha interesses. Contudo, nos balneários de Penafiel, após receber o cheque, Francisco Silva escusou-se apitar dizendo que estava doente. “Ó Chico, eu bem te avisei... ó Chico, o que tu foste fazer!” clamava Lourenço Pinto em conversa telefónica com o árbitro. Com o cheque e as escutas telefónicas como prova, os três intervenientes iriam sofrer a pesada mão da justiça.

E resultou na irradiação de Francisco Silva do futebol! Estavam à espera de mais? Só em Portugal é que o corrompido é castigado, mas nunca o corruptor: Manuel Rocha “retirou-se” do clube e Lourenço Pinto passou a pasta do Conselho de Arbitragem. E, já agora, este Lourenço Pinto que participou no suborno do árbitro, é o mesmo que é advogado do Pinto da Costa no caso Apito Dourado! Curioso…


Se isto fosse verdade…


quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Futebol - Abril de 1991

Abril de 1991. Numa bela tarde de domingo o Benfica bate o Porto por 2-0 no estádio das Antas e todo o país adere à celebração encarnada. Todo? Não! Nem todo, pois os heróis de tal feito vivem um dos piores momentos da sua carreira. A história do jogo todos a conhecem, e até o César Brito já está farto que lhe perguntem sobre os dois golos que marcou e deram a vitória no jogo e, consequentemente, no campeonato ao Benfica.

Tudo começou na chegada, por entre insultos e impropérios, da equipa do Benfica. Ao entrar no balneário os jogadores sentiram logo um forte cheiro a amoníaco que intoxicava quem lá entrasse. Obrigados a equiparem-se nos túneis do estádio, a pressão (normal) para quem joga no estádio do Porto já se fazia sentir. Mas mesmo assim os jogadores não viraram a cara à luta e venceram sem contestação o rival.

Após o jogo, e depois dos “tradicionais” empurrões e cuspidelas aos jogadores, por parte dos funcionários do estádio e do Porto, quando eles se dirigiam pelos túneis de acesso até ao balneário já mais arejado, os directores do Benfica (presidente João Santos, Jorge de Brito, Raul Fonseca, Ilídio Trindade, Alcino António e Fezas Vital) foram barrados de entrar nos túneis de acesso por um agente da PSP. Esta personagem (que para a história ficará conhecido como o Guarda Abel) barrou os directores do Benfica e, empunhando o cacetete, desancou-os à porrada. Após tão surpreendente acção, os dirigentes encarnados fugiram do local em direcção de uma ambulância que se encontrava perto e, após fecharem-se lá dentro da fúria portista, tiverem de apelar à boa vontade do grupo de socorro médico para transportá-los para fora do estádio, onde pudessem depois reunir com a comitiva benfiquista.

Os resultados desta encenação foram o peito inchado e orgulhoso dos adeptos portistas, a nuca inchada e dorida de Jorge de Brito e a reforma compulsiva (sem punição de qualquer espécie) do Guarda Abel, que seria logo de seguida contratado para guarda-costas pessoal do presidente do Porto, Pinto da Costa.

Se isto fosse verdade…