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O Grupo Renascença (composto pela Rádio Renascença, RFM e Mega FM) foi obra de Monsenhor Manuel Lopes, iniciando as emissões da Emissora Católica em Janeiro de 1937, e estabelecido a sua estrutura e regularidade a partir de Abril do ano seguinte. Sendo presentemente o líder nacional de audiências de rádio, pela sua história já passou por momentos de aperto, como na altura do PREC…
Após o 25 de Abril, o país atravessava momentos de intranquilidade e no dia 30, os trabalhadores da Rádio Renascença iniciaram uma greve que levou mais tarde à entrada em autogestão, pois a administração da rádio proibiu a emissão das reportagens sobre os regressos
de Mário Soares e Álvaro Cunhal do exílio. O conflito entre os trabalhadores e o patronato da emissora ultrapassou o perímetro da empresa, e tornou-se uma fonte perturbadora nacional. Em Maio de 1975, essa tensão levou à ocupação dos estúdios em por forças de extrema-esquerda, com o Cardeal-Patriarca D. António Ribeiro a assumir posição de destaque na defesa da propriedade da rádio. Contra ele, estavam o Conselho da Revolução, o COPCON e todos os partidos e grupos políticos (radicais ou moderados), entre os quais o PS (que desejava a nacionalização dos meios de informação). As exigências de restituição da RR aos seus legítimos donos feitas ao Conselho de Revolução eram infrutíferas, pois estes não desejavam tomar partido contra os trabalhadores. Na noite de 18 de Junho de 1975, chegaram mesmo a existir confrontos físicos na Sede no Campo Santana, dos quais resultaram 40 feridos, perante a passividade do COPCON…
Como forma de pressão, o Conselho da Revolução destruiu à bomba, em Novembro de 1975, o centro emissor de Benfica, de forma a colocar pressão sobre os ocupantes da Rádio e cala-los definitivamente. Em Janeiro de 1976, a Rádio Renascença foi finalmente devolvida aos seus legítimos proprietários.
Este episódio levou a uma grande união dos católicos e à conquista de novos simpatizantes por parte da Rádio Renascença, tornando-se a maior rádio nacional e expandindo as suas emissões além fronteiras…
Se isto fosse verdade…
Se nos anos 70 José Maria Pedroto ficou famoso pela “água com açúcar” que dava aos atletas antes dos jogos, na década de 40 já eram utilizados suplementos alimentares para potenciar os atletas. João Rebelo, ciclista do Sporting em 1946, foi convidado para a Volta à Suiça representando a equipa Alegro, e trouxe na volta alguma “inovação” estrangeira…Sendo-lhe dadas algumas vitaminas para juntar à alimentação que fazia parte da ementa da equipa, no primeiro dia da competição foi afectado por grandes dores de estômago, talvez ao desconhecimento por parte do organismo a tais suplementos. Abandonado no primeiro dia por não conseguir afastar as dores e chegando assim fora de tempo à
meta (após tendo mesmo desmaiado durante a etapa), João Rebelo regressou a Portugal sem honra nem glória, mas com um frasco de vitaminas na mala. Quando o seu comboio de regresso parou em Barcelona, reconheceu uma comitiva de atletas portugueses que iriam participar nos Jogos Ibéricos e foi falar com eles. Na conversa, constatando a deficiência da alimentação que lhes estava reservada através da organização espanhola, que consistia apenas em sarda, salada de pepino e sardinhas de conserva, decidiu por sua iniciativa oferecer aos atletas o frasco que trazia da Suiça…Nesta ingénua introdução de “suplementos” alimentares no mundo desportivo português, o sucesso nos Jogos Ibéricos passou, por entre outros, por Afonso Marques que para além da vitória nos 10 000 metros, ganharia também os 5 000 metros e aniquilando o record nacional dessa distância que já durava à 16 anos. Pode não ter ganho a volta à Suiça, mas João Rebelo bem ajudou a ganhar nos Jogos Ibéricos…
Se isto fosse verdade…
E no dia seguinte, ao teu almoço, recebes um papel dobrado, onde está escrito:
«Deve o senhor fulano à patrulha nº tantos por socorros prestados na estrada de tal– 27$000 réis!»
Que dirias tu, concidadão amado? Este é o início de um dos mais belos textos de Eça de Queirós da colectânea Uma Campanha Alegre. Mas será que hoje em dia estes casos ainda acontecem?
2002: O armador da embarcação Paula e Filipa pede auxílio ao INEM pois tinha um tripulante doente a bordo. Após efectuar a triagem pelo telefone, como o INEM não tem autorização para efectuar socorros em alto mar mesmo dentro da Zona Económica Exclusiva Portuguesa, contactou a Força Aérea Portuguesa para efectuar o resgate do doente que sofria de uma apendicite aguda. A F.A.P. apresentou então a factura: 12 540 euros…
2005: O mestre da embarcação Eva Maria, localizada a cerca de 20 milhas de Viana do Castelo, pede auxílio ao INEM pois tinha um tripulante doente a bordo. Diagnosticado um Acidente Vascular Cerebral, o INEM contactou a F.A.P. para efectuar o resgate, tendo estes que mobilizar um helicóptero desde a base do Montijo, tendo o tempo total da operação demorado cerca de 4 horas. Valor da factura: 13 593 euros…
Em ambos os casos, e após a recusa dos armadores das embarcações de pagarem a despesa, o Ministério Público
avançou com os casos para Tribunal. O primeiro caso foi arquivado, mas as cobranças continuaram a ser feitas. A operação de resgate só pode ser efectuada pela F.A.P., sendo que o papel do INEM é apenas de prestar assistência médica gratuita, acompanhando por isso a operação de resgate. Deus me livre, nem imagina o meu alívio. Mas cabe na cabeça de alguém que eu tivesse que pagar 13 mil euros para salvar uma vida?, perguntava mestre Adão do Eva Maria após ser informado que o Ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, tinha mandado suspender as cobranças Nem imagina o susto que apanhei. Nem num ano ganharia para pagar aquela quantia!.
Se isto fosse verdade…
Quando em Março de 1946 um esquadrão de navios ingleses atracou em Lisboa, ainda estava fresca na memória dos adeptos do futebol o belo jogo que a equipa da RAF e a da Selecção “Militar” Portuguesa tinham proporcionado pouco tempo antes. Sendo assim, tratou-se logo de marcar novo jogo Portugal vs Inglaterra com os marinheiros da Home Fleet.Mas se a Selecção da RAF tinha meia dúzia de jogadores de futebol nas suas fileiras, esta selecção era apenas composta por jovens marinheiros pouco peritos em jogo de bola. Mas, mais uma vez, a Selecção Nacional escolheu entre os seus melhores, chegando mesmo a fazer
um estágio de três dias na Costa da Caparica, pois o total desconhecimento dos membros da tripulação adversária, levaram ao receio de envergonhar a elite de Portugal. Para além de paralizarem as competições em Portugal, a selecção era composta por Capela e Barrigana, Vasco, Cerqueira e Elói, Mateus, Grazina, José Lopes e Francisco Lopes, Jesus Correia, Araújo, Patalino, Salvador, Rogério, Júlio e Lourenço. Para árbitro foi chamado um internacional belga Charles Canuto, que não era mais do que o árbitro português Carlos Canuto. Em vésperas do jogo muitos bilhetes estavam por vender, pois talvez as pessoas já tivessem percebido a marosca…Foi uma vergonha de 11-1, em que os jogadores ingleses, mais habituados à estiva, não souberam dar a volta ao jogo em terra, embora jogando sempre dignamente e com alegria, mesmo enquanto os golos iam entrando na sua baliza. Pelas palavras duras escritas no jornal A Bola sobre esta “exibição”, a redacção do jornal viu a sua tiragem ser suspensa durante um mês…Se isto fosse verdade…
Amália Rodrigues é um dos maiores nomes da música portuguesa, e até mundial, que encheu salas de espectáculo das Américas até à Ásia. Ultimamente o nome dela tem sido muito falado na comunicação social, mas não o é pelos melhores motivos. A Fundação Amália Rodrigues, criada após a sua morte e segundo desejo no seu testamento, tem sido o foco de discórdia…No seu testamento, Amália deixou suas posses (excluindo os direitos de autor que ficaram com seus sobrinhos) para a criação de uma fundação que ajudasse os mais necessitados. Aprovada em Janeiro de 2000, ficou, por motivos burocráticos, sem o
estatuto de utilidade pública que a isentaria de impostos. Mas a polémica maior é relativa ao facto de Amadeu Costa Aguiar, testamenteiro de Amália e gestor provisório até nomeação de uma Direcção da Fundação, ter aprovado estatutos em que o tornavam Presidente vitalício! Raul Solnado, João Braga (que até chegou a ser processado pelo Presidente da fundação) e diversas pessoas ligadas à fadista reagiram contra essa usurpação de poder. Entre os bens que estão sob gestão da Fundação encontram-se terrenos, imóveis, contas bancárias e jóias (nunca catalogadas ou avaliadas) cujo valor e paradeiro não são conclusivos...Para além da gestão pouco clara, mesmo nomeando o seu filho para ajudá-lo na difícil tarefa, Amadeu Costa Aguiar precisa, contudo, de pagar os impostos em atraso, mesmo com a lei de utilidade pública a ter efeitos retroactivos, pois segundo o artigo 11.º-A do Estatuto dos Benefícios Fiscais, a isenção de impostos não pode ser concedida como perdão fiscal e para que tenha efeito, os valores do imposto sucessório têm mesmo de ser pagos para que depois sejam reembolsados…Se isto fosse verdade…
A máquina de propaganda do Estado Novo era incansável e aproveitava todas as oportunidades para fazer passar a mensagem. Em Fevereiro de 1946, após uma guerra que poupou o nosso território, uma equipa de futebol da Royal Air Force decidira fazer um jogo amigável em Portugal com a nossa Selecção Militar. Só que em campo surge a Selecção Nacional Portuguesa…O Major Ribeiro dos Reis, glória do futebol português e que na altura era o Seleccionador, decidiu convocar “militares na reserva”, com uma equipa composta por Azevedo; Cardoso e Feliciano; Mateus, Francisco Ferreira e Serafim; Mário Coelho, Quaresma, Peyroteo, Salvador e Rogério. Até foi feito um estágio na Venda do Pinheiro, não fosse surgir algum craque entre os ingleses que fosse envergonhar os nossos
jogadores. Composta por heróis da guerra e alguns futebolistas conhecidos, os ingleses defrontaram uma selecção em que, tirando Quaresma como Sargento e Manuel Marques como cabo, todos eram soldados rasos e até chegaram ao Estádio do Jamor em carro militar e devidamente fardados. E os jogadores ficaram bem satisfeitos pois, antes do jogo, foi-lhes dito em pleno Estádio defronte dos 60 000 espectadores que poderiam ficar com os equipamentos (outros tempos mais frugais) …A Selecção Militar/Nacional acabou por empatar a um golo com a Selecção da RAF, onde pontificava um jovem Stanley Matthews que deu água pela barba a Serafim, encarregue de lhe fazer a marcação. Mas se este jogo teve uma selecção estranha (a portuguesa), no jogo seguinte em Março do mesmo ano surgiria outra selecção ainda mais estranha (nesse caso, a inglesa) …Se isto fosse verdade…
Durante a década de 60, três homens e uma mulher davam início em Sacavém a uma indústria que produzia whisky de qualidade e gosto duvidosos e que, embora os rótulos ostentassem nomes como Vat 69 ou Johnnie Walker, ficará para sempre conhecido como “whisky de Sacavém”.Esta operação consistia em despejar whisky verdadeiro para dentro de um barril, onde depois era adicionado álcool etílico (aquele que é utilizado para desinfectar feridas) e umas pastilhas para darem cor à mistura. Com um teor alcoólico de 90º, a bebida tinha de ser consumida rapidamente pois ao passar um ano, o corante das pastilhas começava a separar-se do álcool e ficava à vista a tramóia. De 1962 a 1966, os falsificadores dirigiam-se à Farmácia Lourenço, dia
sim, dia não, com um garrafão de 5 litros para encher de álcool, dizendo que era para a oficina de serração em que alegadamente trabalhavam. Vendiam depois as bebidas, após encherem garrafas da marca com rótulos e até carimbos da alfândega falsificados, em bares e cabarés de Sacavém e, na sua maior parte, na capital portuguesa. Pelo meio, algumas das remessas eram enviadas para Marrocos para de seguida reentrarem em Portugal, para despistarem as autoridades.Em Fevereiro de 1966, Manuel Serafim, o cabecilha da quadrilha, era capturado num restaurante pela Polícia, envolvendo até troca de tiros com as autoridades. Ao ser capturado, afirmou que quando saísse iria voltar ao mesmo, pois era a única coisa que sabia fazer. Uns anos após ser solto, foi descoberta no Barreiro uma fábrica onde repetia a operação de fabrico de whisky…Se isto fosse verdade…
Este ex-árbitro é um caso impar no futebol português. José Guímaro é o único árbitro (até agora) a ser condenado por corrupção num tribunal judicial. Os 500 contos que recebeu em troca do favorecimento num célebre Leça FC vs Académico de Viseu não foram compensação suficiente para o que se seguiu…
Em 7 de Junho de 1993 o Leça FC recebia o Académico de Viseu, e em caso de vitória festejaria o título da 2ª. Divisão B. José Guímaro era o árbitro e o Leça FC ganhou por 3-0, acrescentando uma taça ao seu palmarés. Contudo, em Junho de 1994, a Polícia Judiciária detém o árbitro após uma diligente investigação, com conversas telefónicas comprometedoras com “Manecas” (Presidente do Leça FC), Manuel Rodrigues (pai do Presidente do Leça FC), António Ramos e Joaquim Pinheiro (intermediários, sendo este último irmão de Reinaldo Teles, vice-presidente do FC Porto), e a fotocópia de um cheque de 500 contos assinado pelo “Manecas” e endossado a José Guímaro. Pela primeira vez um tribunal judicial julgava e condenava por corrupção desportiva! Os 500 contos (sempre referidos nas gravações como os “quinhentinhos”) não eram mais do que o pagamento da primeira prestação pelos “serviços” prestados por José Guímaro.
No final o Leça desceu da Primeira Divisão para a Divisão de Honra pela via administrativa na época de 1996/97, José Guímaro foi condenado a 15 meses de prisão e “Manecas” a 12 meses (sendo entretanto amnistiado) e Manuel Rodrigues e António Ramos a 8 meses de pena suspensa. Joaquim Pinheiro, sempre que confrontado com datas e as suas gravações telefónicas exclamava sempre “não me recordo”, evitando o envolvimento de seu irmão, várias vezes citado nas conversas, e evitando ser condenado. Em todo este processo, a única pessoa que cumpriu pena foi o corrompido, sendo que todos os corruptores passaram incólumes…
Se isto fosse verdade…
Em 29 de Maio de 1981, num Tribunal da Califórnia, a empresa construtora de automóveis Ford Motor Company é condenada a pagar um total de US$ 128 115 680 de indemnização após serem condenados por deliberadamente colocarem as vidas dos seus clientes em risco.Em Novembro de 1971, a família Grey comprou um Ford Pinto novo e, embora tivesse tido
algumas avarias mecânicas, nada que fizesse adivinhar a catástrofe que ocorreu em Maio de 1972. A Srª Grey dirigia-se no carro, acompanhada por um jovem de 13 anos de nome Richard Grimshaw, para ir ter com seu marido. A meio do percurso na auto-estrada, a Srª Grey mudou de faixa e o Ford Pinto que conduzia foi abalroado na traseira, provocando um incêndio que tornou-se fatal para a condutora e que provocou sérias queimaduras em Richard Grimshaw, que necessitou de inúmeras operações plásticas que foram, contudo, pouco eficazes em esconder as marcas ao longo da sua vida.O que torna este caso especial, é que a secção traseira do Ford Pinto tinha um erro de construção
que provocava, ao ser abalroado pela traseira, que o tanque de combustível furasse e a gasolina vertesse para dentro do habitáculo e para cima do capot do veículo abalroador, ocasionando assim um incêndio. Documentos provaram que a administração teve conhecimento que por apenas mais US$ 10 (0,5% do valor do carro) podiam salvar vidas reforçando as peças dessa secção. Mas com a motivação de maximizar os lucros, não quiseram efectuar as reparações nos veículos antes de serem comercializados. Tal como neste caso, ocorreram muitos outros incêndios, sendo este o pioneiro do género…Se isto fosse verdade…
Verão de 1988; em Vila Nova de Famalicão é o desespero total. O clube local tinha acabado de sagrar-se campeão da 2ª Divisão e, com isto, o regresso à Divisão principal nove anos depois da última participação. Mas o fantasma da corrupção esticava o dedo acusador a António Costa, Presidente do Famalicão, por parte do seu homólogo do Macedo de Cavaleiros. Mas esta história sempre foi muito mal contada.Na época de 1987/88, a disputa pela primeira posição no Campeonato da 2ª Divisão
Zona norte esta ao rubro, com Famalicão, Fafe e Leixões a disputar a subida. Antes do campeonato acabar, o Fafe já tinha protestado a utilização irregular, por parte do Famalicão, do jogador Kanu. Mas protestara também a vitória administrativa sobre o Macedo de Cavaleiros. Findo o campeonato em primeiro e conquistado o título, o Presidente do Famalicão foi acusado (a uma semana do início da época seguinte!) por parte de António Veiga, Presidente do Macedo de Cavaleiros, de ter pago ao clube para encenar uma invasão no seu campo ao intervalo por parte dos adeptos para assim o Famalicão ganhar o jogo “na secretaria”. Exibindo o cheque assinado por António Costa, o Famalicão foi relegado para a 3ª Divisão como punição e os presidentes do Famalicão e do Macedo de Cavaleiros foram irradiados do futebol. Na época de 1988/89 o Famalicão sagra-se vice-campeão da 3ª Divisão e regressa à 2ª Divisão.Contudo, António Veiga veio desmentir-se um ano depois. O antigo presidente do
Macedo de Cavaleiros veio a público assumir que o cheque era, na verdade, para o pagamento dos bilhetes dos adeptos do Famalicão, e que tinha feito a falsa acusação de suborno como forma de prejudicar António Costa, presidente do Famalicão. O Famalicão e António Costa foram reabilitados e, como tinham terminado a época de 1989/90 em segundo lugar na 2ª Divisão Norte, o Campeonato da 1ª Divisão foi re-alargado para 20 equipas, permitindo que o Famalicão subisse naquele ano, para “compensar” da injustiça…Se isto fosse verdade…