quarta-feira, 19 de março de 2008

Uma questão de dinheiro

Paulo Futre, o astro do futebol, estava descontente com a sua situação no Atlético de Madrid. Quando no início de 1993, Sousa Cintra, na altura presidente do Sporting, seu clube do coração, convidou-o para almoçar, o regresso ao futebol português parecia sorrir-lhe. Contudo, nem tudo foram rosas e, para além do pouco sucesso desportivo, levou também à ruína financeira do Benfica…

Sousa Cintra foi buscar o jogador ao Hotel, tendo habilmente avisado os jornalistas do encontro. A caminho do restaurante, Paulo Futre declara que “Saí do Sporting por dinheiro, regressarei com o coração.”. Passado pouco tempo, surge o Benfica em cena. Em apenas dois dias, o seu presidente Jorge de Brito adianta o dinheiro ao Atlético de Madrid, e um ordenado de 30 000 contos a Futre. Para o jogador, tratou-se apenas de uma negociação ganha pelos encarnados, e que sentia pena de não voltar a Alvalade. Sousa Cintra ficou fulo com o sucedido e prometeu vingança, vindo nesse final de época a roubar duas pérolas do Benfica no Verão Quente. Quanto ao Benfica, endividou-se em 600 000 contos, os necessários para convencer o Atlético, através de um adiantamento da venda das transmissões televisivas à RTP e da publicidade estática, no que era visto como um grande negócio para ambas as partes. Contudo, tal não foi a impressão do Primeiro-Ministro Cavaco Silva, que destituiu o Conselho de Administração da RTP, presidida por Monteiro de Lemos que fora Presidente do Conselho Fiscal do Benfica…

Marques Mendes, na altura Ministro-adjunto do Primeiro-Ministro, declarou que “O dinheiro não é tudo, as audiências não justificam tudo, a concorrência não é justificação para tudo.”. Apesar de tudo, Futre viria mesmo a jogar pelo Benfica, marcando um golo decisivo ao Sporting que afastou definitivamente os leões do título, e brilhou no final da Taça de Portugal ganha ao Boavista. Contudo, o Campeonato principal escapava-se para o Porto. Se por si só, a contratação de Futre não arruinou completamente os cofres do clube da Luz (que já apresentavam um passivo de 4 500 000 contos), a perda de Paulo Sousa, numa vingança do Sporting, fez voar uma receita esperada de 1 000 000 da venda do médio para Itália…

Se isto fosse verdade…

segunda-feira, 10 de março de 2008

Fidel Castro nas corridas

Fidel Castro é conhecido por todos como o Eterno Presidente de Cuba, após depor Fulgêncio Baptista, o homem de confiança dos E.U.A.. Juan Manuel Fangio é tido por muitos como o maior piloto de Fórmula 1 de sempre, tendo sido cinco vezes Campeão do Mundo em 1951, 54, 55, 56 e 57. Em 1958, os caminhos destes dois homens cruzaram-se, numa situação única…

Antes de se tornar El Comandante, e enquanto tentava tomar o poder pela força com o seu grupo M-26 (Movimento 26 de Julho), Fidel Castro planeou um esquema que atraísse os olhos do mundo à sua causa. Aproveitando a realização do Grande Prémio de Cuba, em Havana, organizou um grupo para raptar Fangio. Na entrada do Hotel Lincon, um homem alto de blusão de cabedal e pistola em punho dirigiu-se ao piloto e ordenou que ele o seguisse para um carro estacionado à porta. Logo de seguida fizeram chegar aos jornais do mundo que se o Presidente Baptista quisesse organizar uma corrida internacional, não poderia contar com o campeão em título. Fangio foi mantido em cativeiro durante 26 horas num luxuoso apartamento, a comer bifes com batatas, frango e arroz, e a dormir numa cama confortável. Os revolucionários até disponibilizaram-lhe um rádio para ele poder ouvir o relato da corrida, ao que ele declinou. A única preocupação de Fangio era de ser apanhado num tiroteio entre a polícia e os revoltosos, se o local onde se encontravam fosse descoberto. Faustino Perez, o braço direito de Castro, foi então visitar o prisioneiro e apresentou-lhe desculpas e explicou os motivos do rapto…

A corrida foi adiada quase duas horas enquanto a organização esperava que a polícia, que ia revirando todas as casas, encontrasse o astro Argentino, o que causava a apreensão dos cerca de 150 000 espectadores que esperavam o início da corrida. Teve de ser Maurice Trintignat a pilotar o Maserati designado para Fangio. Após o final da corrida, os revolucionários levaram Fangio até à Embaixada Argentina onde este se apresentou, e aos seus acompanhantes como “Estes são meus amigos, os sequestradores.”…

Se isto fosse verdade…

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Verão Quente... de 1993!

O Verão Quente não foi só durante o PREC, pois o futebol também teve um. No Verão de 1993, após o Benfica ter ficado em segundo lugar no campeonato e ter ganho a Taça, com a colaboração de Paulo Futre, o melhor jogador português do momento e “roubado” poucos meses antes ao Sporting, seu clube do coração. Também o leão foi capaz de dar duas arranhadelas à águia, e poderia ter sido mais grave…

No início de Junho, Pacheco foi o primeiro jogador a rescindir contracto com o Benfica, devido a salários em atraso, e a assinar pelo Sporting para receber 70 000 contos. Pouco depois, Paulo Sousa envia um fax a rescindir contracto pelo mesmo motivo, assinando por 350 000 contos por ano. Era com Sousa que o Benfica esperava sarar a crise financeira (de cerca de 4 milhões de contos) tentando a venda para Itália por 1 milhão de contos. Mas Sousa Cintra, Presidente do Sporting, não se dava por satisfeito, e no final de Junho, João Pinto envia um fax a rescindir contracto por não ter recebido os 2 000 contos do ordenado de Maio. JVP tinha assinado um contrato com o vizinho da Segunda Circular por três anos e 350 000 contos, tendo recebido logo um cheque de 30 000 contos. Após o sucedido, partiu de férias para uma praia em Torremolinos…

Jorge de Brito, Presidente do Benfica, encontrava-se de férias em Lagos, e ao saber do sucedido dirigiu-se logo para a praia espanhola e propôs o regresso ao Benfica, por 390 000 contos até 1997. Devido ao cheque que já tinha recebido de Sousa Cintra, teve de indemnizar os leões em 100 000 contos, despesa que o Benfica pagou com grado. Foi com esta jogado, que culminou no célebre jogo do 6-3 de Alvalade, que o Benfica sagrar-se-ia Campeão 1993/94…

Se isto fosse verdade…

Aliados, mas não muito...

Durante a 2.ª Grande Guerra Mundial, ocorreram muitas acções de espionagem e contra-espionagem, sendo que mesmo dentro dos Aliados surgiam suspeitas, com os russos a serem vistos de lado e com muita desconfiança. Quando os Nazis, através da Wermacht, desenvolveram a arma V2, o míssil de longo alcance mais evoluído da época, um caso ocorreu que veio dar razão às desconfianças dos Aliados…

Wernher von Braun e Walter Riedel eram os engenheiros alemães encarregues de desenvolver o Vergeltungswaffe 2, ou Arma de Vingança 2, tendo para isso escolhido Peenemuende, uma localidade no Noroeste da Alemanha como base de operações para desenvolver o míssil. Os testes eram efectuados em Bliza, já em território polaco. Num desses testes, em Maio de 1994, um dos mísseis despenhou-se num pântano e não explodiu. A resistência polaca escondeu o míssil e, após os alemães terem desistido de procurar o engenho, calculando que este se tivera afundado, desmontaram-no e transportaram-no para ser analisado. Os soviéticos disponibilizaram meios e técnicos para a análise do míssil, e mais tarde receberam um pedido dos Serviços Secretos Britânicos que também desejavam inspeccioná-lo, visto que cerca de 40% dos ataques dos mísseis V2 tinham como alvo a Inglaterra…

Os russos afirmaram que queriam colaborar, e os componentes do míssil V2 foram assim embalados numa caixa e enviados para o quartel-general inglês. A surpresa surgiu quando a caixa foi aberta pelas autoridades britânicas para que os seus técnicos pudessem inspeccionar esta arma letal enviada pelos seus aliados de Leste, pois a caixa continha apenas dois velhos motores de aviões soviéticos…

Se isto fosse verdade…

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Macacada...

Certas expressões populares utilizadas no dia-a-dia surgiram de situações muito pouco normais. Uma delas nasceu no mundo do futebol, nas várias deslocações que o Sporting fazia até ao Estádio do Lima (antecessor do Estádio das Antas) para defrontar o Futebol Clube do Porto…

Quando o Sporting dos 5 violinos deslumbrava todos com o seu futebol, as deslocações ao Porto resultaram sempre em grandes dissabores no final da década de quarenta e início de cinquenta. Anteriormente, os jogadores do Sporting estagiavam num hotel em Oliveira de Azeméis, que tinha uma macaca como animal de estimação. Adoptando-a como amuleto, o Sporting somava por vitórias as deslocações ao Porto. Contudo, numa das vezes lá chegados, a macaca tinha desaparecido. Um adepto portista tinha comprado a macaca, acreditando que ela era a fonte de inspiração leonina, e que assim seriam derrotados. Começou assim uma série de jogos em que o Porto ganhava de forma contundente, o Sporting até adoptou outros hotéis para estagiar para tirar a macaca da lembrança dos seus jogadores, até que…

Numa das deslocações ao Porto, e após um jogo estranho com uma arbitragem tendenciosa e diversos jogadores portistas lesionados, o Sporting voltava a ganhar no Estádio do Lima. Curiosamente, no mesmo dia em que a macaca, que estava instalada na Quinta da Fonte Vinha do adepto portista, morreu. A partir daí, começou a ser utilizada no futebol, e que depois generalizou-se, a expressão “mas que sorte macaca”…

Se isto fosse verdade…

Invasão de Timor-leste

Após a morte de Suharto, todos os dedos acusadores apontam na direcção dele, como sendo um ditador que causou a morte a muitos milhares de timorenses. Mas poucos referem que, se Suharto provocou todos estes eventos, tal deveu-se aos E.U.A. terem encorajado e fornecido armamento para que a Indonésia pudesse invadir Timor Leste…

Quando Portugal libertou-se da Ditadura, a Indonésia estabeleceu contactos com o M.F.A. para comprar Timor-leste. Se de início chegaram a haver encontros, subitamente o plano passou por dar independência aos timorenses. Em Julho de 1975, Shuarto teve uma reunião em Camp David com o presidente dos E.U.A., Gerald Ford, e alertou para a progressão comunista na Ásia e que o novo regime socialista em Lisboa poderia servir de contágio para a província. O próprio Suharto estava preocupado, após a decisão de Portugal conceder independência a Timor-leste, que as restantes províncias indonésias, ao verem o exemplo, se sentissem tentadas ao mesmo. Após terem feito infiltrações militares no território para desencadearem confrontos que causasse cisão entre a ex-colónia portuguesa, em Dezembro de 1975, Gerald Ford e Henry Kissinger, Conselheiro Militar dos E.U.A. e Prémio Nobel da Paz em 1973, visitaram a Indonésia e disseram que a invasão teria de ser o mais breve possível, que esperassem apenas que eles abandonassem o continente asiático, e que para isso iriam contar com armamento fornecido ilegalmente pelos E.U.A.. Assim começou a Operação Lótus, com a invasão oficial de Timor-leste em 7 de Dezembro de 1975...

Em 2000, o Ministério dos Negócios Estrangeiros australianos assumiu que o Governo da altura encorajou Suharto a invadir Timor-leste, tendo caído muito mal entre a população pois jornalistas australianos tinham sido assassinados nos confrontos, e porque tinham muita consideração pelos timorenses pela sua heroicidade durante a segunda Grande Guerra Mundial. Quanto ao envolvimento dos E.U.A., só ficou conhecido através de documentos confidenciais governamentais tornados públicos em Dezembro de 2001…

Se isto fosse verdade…

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Camisolas bem numeradas

Hoje em dia, todos os jogadores têm um número fixo nas camisolas com respectivo nome ao longo da época, mas durante muitos anos o número nas camisolas era atribuído sem critério fixo, seguindo apenas uma ordem de 1 a 11, e segundo a posição em campo. Mas no Torneio Cidade de Córdoba 1975/76, António Medeiros, treinador do Belenenses, resolveu inovar…

O Belenenses defrontou, e derrotou, o Boca Juniors, ganhando assim acesso à final contra a equipa da casa. Mas para além da vitória no jogo, o treinador da equipa portuguesa reparou que o treinador do Córdoba estava na bancada a tirar apontamentos para preparar o jogo final. Quando chegou a hora dos jogadores do Belenenses subirem para o relvado para o jogo decisivo, António Medeiros deu ordens específicas: quando os jogadores terminassem o aquecimento, regressariam aos balneários para, num instante, trocarem de camisolas. Sambinha, o número 2, passou a ser o 11 e Cepeda que era o 11 passou a ser o 2, e assim por diante. Após a rápida troca de camisolas, os jogadores voltaram a subir para o relvado. Após o início do jogo, os jogadores do Córdoba começaram a fazer marcação aos jogadores segundo os números das camisolas. Quando se aperceberam da marosca, já o Belenenses ganhava por 3 a 0…

No final do encontro, a polícia local teve de ser chamada para escoltar a equipa do Belenenses até ao hotel, devido ao ambiente que se tinha gerado em volta do jogo. Se esta não foi a primeira, nem a última, vez que António Medeiros fez o truque da troca das camisolas, foi esta a primeira vez que uma equipa estrangeira ganhou o Torneio de Córdoba…

Se isto fosse verdade…

Alô, quem fala?

Ao fazer a pergunta “Quem inventou o telefone?”, qualquer pessoa responderá Alexander Graham Bell. Contudo, Elisha Gray é tido por muitos como o verdadeiro inventor. Numa era em que diversas pessoas em vários pontos do globo criaram o seu próprio modelo de telefone, Bell foi o primeiro a registar a patente. Contudo, não foi o primeiro a entregar a patente…

A primeira demonstração pública de Bell foi em 10 de Março de 1876 mas, o aparelho utilizado não tem nada de semelhante com aquele que foi patenteado pelo mesmo em Fevereiro desse ano. Na manhã do dia 14 de Fevereiro de 1876, foi entregue o pré-registo de Gray da invenção de um telefone utilizando um fio condutor em líquido. Durante a tarde, um enviado de Bell (que se
encontrava fora) entregou o registo de 10 páginas no cartório, mas exigiu que fosse prontamente examinado. O pré-registo de Gray ficou “esquecido”, tendo sido apenas apreciado no dia seguinte, enquanto o de Bell foi aprovado no próprio dia. Contudo, a patente de Bell já não era constituída pelas 10 páginas que seu advogado processara, mas sim de 14 páginas, onde se incluíam 7 novos parágrafos onde era introduzido um novo sistema de fio condutor dentro de água...

Como Bell encontrava-se fora, foram seus advogados Anthony Pollock e Marcellus Bailey que viram o pré-registo de Gray e após aliciarem o funcionário do cartório Zenas Wilber, que era um alcoólico, conseguiram ter a posse dos documentos de Gray e copiaram os esquemas da invenção. Quando Gray falou com Bell para felicitá-lo pela patente, disse que também tinha entregue um pré-registo semelhante. “Não sabia de tal coisa, mas apenas que utilizava algo a ver com um fio condutor em líquido (…)”. Afinal, Bell até sabia demais sobre o pré-registo de Gray…

Se isto fosse verdade…

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O caso Inocêncio Calabote

Na altura em que os jogos de futebol tinham na rádio a sua forma de transmissão (o fenómeno da televisão só viria décadas mais tarde) surgiu na época de 1958/59 a lenda Inocêncio Calabote. Diz a história, que este árbitro deu 10 minutos de desconto no jogo Benfica-CUF da última jornada, para que o Benfica marcasse mais um golo e ganhasse o campeonato pela diferença de golos. Mas nem o Benfica ganhou o campeonato, nem o árbitro deu 10 minutos de compensação…

Nessa 26.ª e última jornada disputada a 22 de Março, o Benfica recebia a CUF e o FC Porto visitava o Torreense. Tendo empatado os dois jogos entre eles, ganharia o campeonato quem tivesse maior diferença entre golos marcados e golos sofridos. Embora o FC Porto tenha ganho o campeonato, nasceu recentemente a crença que o Benfica foi campeão porque o árbitro Inocêncio Calabote deixou o jogo correr até o Benfica ter golos suficientes para ser campeão. Na verdade, o jogo começou com 6 minutos de atraso (provocados pelo Benfica para saber de antemão o resultado do FC Porto, e que por isso foi justamente castigado pela federação), e o intervalo prolongou-se também uns minutos. Na verdade o árbitro deu apenas 4 minutos de desconto, como rezam as crónicas da época em A Bola “No que se refere ao prolongamento de quatro minutos, cremos ter deixado, ao longo da crónica, justificação bastante para o critério do Sr. Inocêncio Calabote.”, ou no Record “Deu quatro minutos (…) pela demora propositada dos jogadores da Cuf – alguns deles foram advertidos – na reposição da bola em jogo. Não compreendemos porque não usou do mesmo critério no final do primeiro tempo, dado que aquelas demoras se começaram a registar desde início.”…

Nasceu também a crença que foram assinaladas a favor do Benfica 3 grandes penalidades que não existiam, mas os jornais elucidam em A Bola “Quanto aos “penalties”, não temos dúvida de que o primeiro e o terceiro existiram de facto; dúvidas temos, porém, quanto ao segundo, pois Cavém, ao que se nos afigurou, não foi derrubado por um adversário, antes foi ele próprio que se descontrolou e desequilibrou.”, ou no Record “Regular comportamento no julgamento das faltas. Só não concordamos com a segunda grande penalidade. A falta existiu, na verdade, mas só por ter sido executada fora de tempo merecia livre indirecto.”. Casos houve no Torreense-FC Porto, com a arbitragem de Francisco Guiomar a ser contestada pelos jogadores locais…

Se isto fosse verdade…

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Invasão da Rádio

O Grupo Renascença (composto pela Rádio Renascença, RFM e Mega FM) foi obra de Monsenhor Manuel Lopes, iniciando as emissões da Emissora Católica em Janeiro de 1937, e estabelecido a sua estrutura e regularidade a partir de Abril do ano seguinte. Sendo presentemente o líder nacional de audiências de rádio, pela sua história já passou por momentos de aperto, como na altura do PREC…

Após o 25 de Abril, o país atravessava momentos de intranquilidade e no dia 30, os trabalhadores da Rádio Renascença iniciaram uma greve que levou mais tarde à entrada em autogestão, pois a administração da rádio proibiu a emissão das reportagens sobre os regressos
de Mário Soares e Álvaro Cunhal do exílio. O conflito entre os trabalhadores e o patronato da emissora ultrapassou o perímetro da empresa, e tornou-se uma fonte perturbadora nacional. Em Maio de 1975, essa tensão levou à ocupação dos estúdios em por forças de extrema-esquerda, com o Cardeal-Patriarca D. António Ribeiro a assumir posição de destaque na defesa da propriedade da rádio. Contra ele, estavam o Conselho da Revolução, o COPCON e todos os partidos e grupos políticos (radicais ou moderados), entre os quais o PS (que desejava a nacionalização dos meios de informação). As exigências de restituição da RR aos seus legítimos donos feitas ao Conselho de Revolução eram infrutíferas, pois estes não desejavam tomar partido contra os trabalhadores. Na noite de 18 de Junho de 1975, chegaram mesmo a existir confrontos físicos na Sede no Campo Santana, dos quais resultaram 40 feridos, perante a passividade do COPCON…

Como forma de pressão, o Conselho da Revolução destruiu à bomba, em Novembro de 1975, o centro emissor de Benfica, de forma a colocar pressão sobre os ocupantes da Rádio e cala-los definitivamente. Em Janeiro de 1976, a Rádio Renascença foi finalmente devolvida aos seus legítimos proprietários.
Este episódio levou a uma grande união dos católicos e à conquista de novos simpatizantes por parte da Rádio Renascença, tornando-se a maior rádio nacional e expandindo as suas emissões além fronteiras…

Se isto fosse verdade…